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Aqui você tem acesso a textos inspiracionais e downloads de livros.
Através da leitura você pode abrir a mente e refletir sobre seus momentos de transição.

O QUE É BEM-ESTAR INTEGRAL? - por Dra. Roberta Ribeiro

por Dra. Roberta Ribeiro
(consultora de conteúdo do quadrante CONSCIÊNCIA)

O Aurélio define bem-estar como uma sensação agradável do corpo e do espírito. A questão com esta definição é que ela reduz o bem-estar à ausência de desconforto físico e um estado bacana de espírito da pessoa.

No entanto, não vivemos isolados. Todos nós experienciamos diariamente diversas sensações que transitam entre o bom e ruim, o bem e mal e o agradável/desagradável, que se desenham na relação com o outro e o meio. Ou seja somos influenciados a todo instante por estas conexões, portanto o seu bem-estar depende da sua rede e das suas interações. Quem não experimentou acordar de ótimo humor com muita energia e amor para dar e de repente o trânsito, uma ligação, uma discussão com alguém modifica totalmente o seu estado de espírito e, às vezes, até, traz sintomas físicos como taquicardia, falta de ar, dores de cabeça e etc…? Pois é, não vivemos sozinhos e isolados de todas as culturas e sociedades. Elas nos impactam!

Por compreender a complexidade das interações humanas, suas mentes, emoções e crenças, hoje é consenso que o BEM-ESTAR É UM CONCEITO MULTIDIMENSIONAL E HOLÍSTICO, QUE SE MODIFICA AO LONGO DO TEMPO, É INDIVIDUAL E AO MESMO TEMPO INFLUENCIADO PELO AMBIENTE E PELA COMUNIDADE. ISTO É O BEM-ESTAR INTEGRAL.

SITEbemestar

Ou seja não basta não ter desconforto físico e um bom estado de espírito para o bem-estar, por ser multidimensional ele exige a integração das esferas física, mental emocional, espiritual, ambiental e cultural. Apesar de ser influenciado pelo coletivo o bem-estar integral é de responsabilidade própria, isto é, você pode modificar o seu nível de bem-estar conhecendo seus padrões de reação e praticando a atenção plena. Estes são dois ingredientes imprescindíveis para o manjar da presença e da plenitude.

O QUE É SER HUMANO? - por Gabrielle Picholari

por Gabrielle Picholari

A fábula-mito sobre o cuidado essencial é de origem latina com base grega. Ela ganhou sua expressão definitiva pouco antes de Cristo em Roma e foi retirada do livro “Saber cuidar” do Leonardo Boff:

“Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma ideia inspirada. Tomou um pouco do barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.

Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O Júpiter fez de bom grado.

Quando, porém, Cuidado quis dar nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.

Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.

De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Este tomou a seguinte decisão que pareceu justa:

“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte dessa criatura.

Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer.

Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.

E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca do nome, decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil.”

É a partir do texto desta fábula-mito que refletimos sobre a verdadeira essência do ser humano, que consideramos ser o cuidado.   

Não é possível cuidar de si sem se conhecer. O cuidado de si é certamente o conhecimento de si, mas é também o conhecimento de um certo número de regras de conduta ou de princípios que são simultaneamente verdades e prescrições. Cuidar de si é se munir dessas verdades: nesse caso a ética se liga ao jogo da verdade. O cuidado de si é de certa maneira o cuidado dos outros.

Não se deve fazer passar o cuidado dos outros na frente do cuidado de si; o cuidado de si vem eticamente em primeiro lugar, na medida em que a relação consigo mesmo é ontologicamente primária.

A cada dia, com o aumento da complexidade dos desafios do mundo, nos deparamos com questões que nos levam a refletir sobre novas necessidades de diálogo interno, e novos superpoderes para lidar com tanto. Muitas dessas reflexões motivaram o cineasta e artista Yann Arthus-Bertrand a coletar histórias reais de 2000 mulheres e homens em 60 países sobre o que é ser humano?

Confira o canal do projeto e veja o filme completo aqui:

https://www.youtube.com/c…/UC4mGRD3WLYVVc4JI5LrXxUw/featured

RENASCER DE SI MESMO - por Rita Monte

por Rita Monte
(consultora de conteúdo do quadrante CORPO & COMPORTAMENTO)

Quantas vezes você nasceu na sua vida?

Eu, aqui, já contei cinco, incluindo quando cheguei neste planeta. E quando pari meu filho, e nasci mãe!

Para poder chegar nesta resposta, fui plantar uma semente de feijão. Sabe aquela experiência de colocar um grão de feijão num algodão úmido? Foi isso que fiz. O feijão estava lá e, dentro de alguns dias, com um ambiente propício, vi um broto romper a superfície e mudar aquele grão inteiro e de uma vez, transformando-o em outro ser, em um novo feijão. E me maravilhei.

Para mim, nascer é este exato momento em que atravessamos um limiar e deixamos o que era conhecido para mergulhar de cabeça em um novo mundo. Com um novo corpo e tantas outras qualidades recém-nascidas.  Nascer tem a ver com romper, com atravessar um limiar que me impede de voltar atrás, e só me possibilita seguir em frente, comprometida que estou com isso que desconheço de mim, mas que é tão verdadeiro e que pede para nascer. Nascer tem a ver com abrir passagem para que algo morra e o novo em mim vingue neste mundo de fora, que igualmente se organizou para recebê-lo.

Nascer é um momento muito peculiar de um processo maior, um processo de “tornar-se”. Tem muita coisa que acontece antes e depois de nascer. Nascer marca o fim do ciclo do que aconteceu “antes”, ou de quem éramos até então e, simultaneamente, dá as boas-vindas a quem somos agora, recém-nascidos  — e, como recém-nascidos, com muito potencial por desenvolver. Por isso, não se nasce sem antes haver um preparo. Nem se nasce pronto. =)

Antes de nascer, existe um movimento intenso e silencioso de gestação e mudança. Alguma coisa que ainda não conseguimos ver com os olhos do rosto precisa tomar corpo em nós, e de fato isso passa a ser criado dentro de nós, num espaço resguardado e inconsciente. “O futuro está dentro de nós, para se transformar em nós, muito antes de acontecer”, observou o poeta Rainer M. Rilke. É neste momento que, em geral, sentimos que as escolhas que havíamos feito até então já não servem, e muito do sentido de viver se perdeu. Porque o que faz sentido está de fato mudando, num tempo próprio de gestação. E, quando é chegado o momento, quando estivermos prontos para entrar no mundo renovados, nascemos!

Nascer é um ato de Vontade. Não dá para alguém nascer por mim. Vivendo o trabalho de parto do meu filho, senti na pele o que estou dizendo. Eu preciso querer nascer e atravessar esse portal entre o conhecido e o desconhecido. E há de fato um trabalho de parto para nascer quantas vezes quisermos. Ele parece nos preparar para esta reentrada no mundo e na nossa vida, fortalecendo nossa vontade de viver. Um trabalho de parto que nos faz ir e voltar, nos aperta para que não caibamos mais onde antes era confortável, traz um ritmo cadenciado que vai nos conduzindo, como numa dança, à chegada daquele limiar. Tudo isso  pode ser doloroso, amedrontador e cansativo. E, ao mesmo tempo, existe uma confiança lá nas profundezas que nos faz participar desse trabalho de nascer, e nos ajuda a desenvolver resiliência para nos sustentarmos inteiros e senhores de si nessa travessia.

Diferente de quando nascemos pela primeira vez, podemos usar nossa voz e pedir ajuda: para a gestação e nascimentos de quem podemos vir-a-ser, e durante a jornada de se re-conhecer com o novo ser renascido nesse mundão fértil. Na verdade, é exatamente para isso que estamos aqui. Sinta-se benvindo!

JORNADA DE AUTOCONHECIMENTO PROFUNDO - por Cesar Matsumoto

por Cesar Matsumoto

Refleti bastante sobre minha caminhada que foi desde sempre uma busca por propósito. Com altos e baixos. Conquistas e frustrações.

Estive num encontro de apresentação do curso ENACT (Enabling Action) Negócios do Futuro da Escola Design Thinking para falar sobre Consciência de Propósito.

Refleti bastante sobre minha caminhada que foi desde sempre uma busca por propósito. Com altos e baixos. Conquistas e frustrações. Do que caminhei, tanto ajudando outros com seu propósito e na busca do meu próprio, listei 5 pontos que julgo pertinentes a saber para uma caminhada de propósito:

1. Cuidado com a ideia de que “você tem que ter um propósito”

Ninguém “tem que” nada. Aliás essa é uma coisa para se abolir de todas as áreas da vida. Se fazemos algo porque “tem que”, então não se está fazendo por vontade própria, não se está fazendo por inteiro.

Ninguém precisa de uma declaração de propósito de vida para viver feliz e pleno. O propósito, como estamos definindo aqui, é um alinhamento com um chamado da vida, que nos conecta com nossos potenciais, à serviço da vida, num processo de crescimento e evolução.

2. Propósito não é algo para preencher um vazio na vida

Nós não buscamos ter propósito para preencher um vazio na vida. Um exemplo análogo é quando estamos solitários e buscamos um parceiro(a) para acabar com a solidão. De duas umaou ninguém aparece, ou se aparece, a coisa é desastrosa, porque carência atrai carência.

No lugar de tapar a solidão ou o vazio com alguma coisa externa, sugeriria ir a fundo na compreensão do vazio e/ou da solidão. Por que me sinto vazio/solitário? O que é vazio e solidão para mim? Por que preciso de algo externo para não estar vazio ou solitário? Por que não posso simplesmente me bastar? Tente examinar os pressupostos por trás das crenças que sustentam essa sensação de vazio e solidão. Pode ser útil conversar com alguém de confiança que te escute sem julgamentos.

Persevere nesse entendimento. Pois quanto maior for o vazio e a dor, maior é o potencial escondido de transformação. E isso nos leva ao ponto 3:

3. Propósito é uma jornada de morte e ressureição

Todos nós passamos por momentos na vida onde fazer as coisas como fazíamos antigamente perde seu sabor, perde sentido. A mudança, a evolução é inevitável.

https://youtu.be/Hhk4N9A0oCA

tem como aparecer a imagem do vídeo embedado?

É como um videogame, ou um mito do Herói, quando passamos de fase, novos desafios virão, e aí vamos precisar de novos poderes (conhece a A Jornada do Herói?). Por bem ou por mal, a vida vai nos fazer mudar. Para quê? Para revermos crenças errôneas que nos impedem de realizarmos nossa felicidade e alegria inatas!

Se tudo o mais falhar para revermos nossas crenças, a vida tem um mecanismo que não falhao sofrimento. Pois em última instância é ele que nos faz parar pra valer e refletir. Não precisamos sofrer para evoluir, mas se o sofrimento vier, saiba que é uma bênção disfarçada.

De acordo com o mitólogo Joseph Campbell, os mitos nas diversas culturas tratam de um tema básico a morte e ressurreição. Ao longo de nossa vida, algumas coisas sempre têm que morrer para outras poderem nascer. Velhos hábitos, crenças e padrões têm de ficar para trás, para a nova versão de nós vir à tona. Se engajar no propósito é aceitar o chamado da aventura, enfrentar os dragões (nossos medos), morrer para nossa atual identidade, nos perder, para então nos encontrarmos, numa nova identidade, mais sábia, mais plena.

4. Coragem!

Quando nos jogamos no território do desconhecido, do imprevisível, é muito comum termos medo. O medo é o oposto do Amor, sendo que este envolve uma confiança intrínseca no movimento da vida, nas sincronicidades.

A jornada do propósito é um alinhamento com o fluxo da vida. É se tornar mais íntimo com esse território do desconhecido. E a bússola para trafegar nesse território não é a mente, mas o coração.

O coração é a bússola que nos diz para onde ir, e a mente então faz os preparativos da viagemescolhe o melhor meio de transporte, os suprimentos necessários, etc. E o cuidado passa a ser não deixar a mente controlar, mas servir a direção ordenada pelo coração.

A raiz da palavra coragem é couer (em Latim), que significa coração. Coragem é agir com o coração. Precisamos dela para largar mão do controle e da previsibilidade para nos abrirmos ao que a vida nos pede. Muitas vezes temos que largar mão do nosso planejamento e servir àqueles e àquilo que nos é pedido no momento presente. E numa cadeia de acontecimentos e sincronicidades, o verdadeiro plano vai se revelando.

*Exercício sobre a essência do seu propósito:

Para prosseguirmos ao próximo e último ponto, vou lhe sugerir um exercício. Sem pensar muito, escreva num papel a primeira coisa que lhe vier à cabeça em resposta à seguinte pergunta:

O que você faria de mais especial, caso soubesse que o sucesso é garantido?

Se você se sentiu entusiasmado só de pensar no que gostaria de fazer, então já tem uma conexão com sua bússola. Talvez a forma daquilo que você pensou não seja exatamente o que você quer realmente fazer, mas certamente está conectado com a essência por trás da(s) ideia(s) que teve. Essa essência é que importa, é com ela que caminhamos no propósito e a qual cuidamos para não nos desconectar diante dos pequenos desafios do dia-a-dia.

5. Propósito é um ato de Amor

O que é Amor? Para o sábio J. Krishnamurti,

“Amar é não pedir nada em troca, é nem mesmo sentir que se está oferecendo algo. Somente um amor assim pode conhecer a liberdade. (…) Quando vemos uma pedra pontiaguda em um caminho frequentado por pedestres descalços, nós a retiramos não porque nos pedem, mas porque nos preocupamos com os outros, não importa quem sejam.”

Um ato de amor é como ver uma pessoa que pegou no sono no sofá e sem pensar, cobrimos com um cobertor. Não tem o pensamento “puxa, como sou uma boa pessoa” e nem a expectativa de receber algo em troca. É um ato espontâneo, que combina inteligência, empatia e força de vontade.

Das coisas simples como essa à criar uma empresa com 5000 funcionários voltada ao propósito de melhorar a vida das pessoas, a essência (Amor incondicional) não muda, só a forma.

Servir à vida, com essa qualidade do Amor incondicional, partilhando dos seus melhores presentes, é uma expressão da Felicidade Verdadeira. A jornada do propósito é o próprio fluxo da vida, é a conexão com a essência (que você começou a identificar no exercício do ponto anterior), é o encontro com o Eu.

Mantendo-se fiel à essência, com coragem, partilhando em Amor, a vida se revela no seu esplendor!

 

POTÊNCIA E PROPÓSITO DE VIDA - por Gustavo Prudente

por Gustavo Prudente

Como cada um de nós identifica felicidade e sofrimento em nossas vidas? Uma possibilidade é definir a felicidade como presença de prazer e ausência de dor, e o sofrimento como o oposto.

Prazer e dor são fruto das experiências vividas pelo corpo e pela mente, na relação com o mundo material. Logo, nesse caso, achamos que seremos mais felizes gerando mais prazer e anestesiando cada vez mais a dor, por meio de comida, sexo, drogas, entretenimento e da cultura da celebridade instantânea, cada vez mais presente devido às mídias sociais.

Comida, drogas, sexo e adrenalina, nesse caso, são as fontes do prazer do corpo. A sensação de reconhecimento (seja pelo número de curtidas no Facebook ou de aparecermos na televisão) e de poder pessoal (por ser capaz de consumir o que quiser ou de ser mais forte que os outros) podem ser fontes de prazer da mente. Acreditamos que  quando aumentamos esses elementos em nossas vidas – o que é possível quando ganhamos cada vez mais dinheiro e somos mais famosos em nossa comunidade ou nossa área profissional – e anestesiamos a dor, com apoio adicional de remédios e outros recursos – encontramos a felicidade.

ENTRETANTO, MESMO PESSOAS QUE POSSUEM ACESSO A TODAS ESSAS FONTES DE SATISFAÇÃO DO PRAZER E ANESTESIA DA DOR ACABAM PENSANDO OU ATÉ COMETENDO SUICÍDIO.

O caso do ator Robin Williams é exemplar: mesmo sendo rico e famoso, ele alcançou um nível de sofrimento interno suficiente para tirar a própria vida. Por quê?

Sem precisar analisar a história de vida de Williams e os contextos que o levaram ao suicídio, podemos dizer que em algum momento ele (assim como todas as pessoas que tomam uma decisão semelhante) não via mais sentido na vida – mesmo naquilo que talvez lhe fosse fonte de prazer. UMA OUTRA PALAVRA PARA “SENTIDO” É “PROPÓSITO”. Certamente, se ele sentisse o propósito profundo do que estava vivendo, mesmo que seu momento fosse muito sofrido, ele teria seguido em frente.

Portanto, uma outra possibilidade é identificarmos felicidade e sofrimento como presença ou ausência de sentido, ou de propósito, na vida. Um prazer sem propósito será fonte de sofrimento, como no caso de Williams. E mesmo uma profunda dor, quando cheia de propósito, pode gerar felicidade, como nas histórias que certamente já ouvimos de pessoas que descobriram estar com doenças sérias e, a partir disso, reconstruíram suas relações e foram em busca de seus sonhos esquecidos.

Na verdade, talvez não haja nenhum grande homem ou mulher cuja história de felicidade não tenha começado com “eu estava vivendo uma crise quando…”.

E qual a diferença de propósito para prazer e dor? Eu defino propósito como o arrepio em nosso corpo. Aquela sensação de que algo, seja prazeroso ou doloroso, é profundamente importante. Tão importante que parece que tínhamos de viver aquilo, quase como se estivesse predestinado. E eu acredito que nascemos para viver arrepiados por cada vez mais tempo (não só de vez em quando), e com cada vez mais intensidade (a ponto dos olhos marejarem de emoção). E, incrivelmente, isso não implica nenhuma grande tarefa, nem ganhar muito dinheiro, nem viver na adrenalina constante, nem mesmo nos curarmos de todos os nossos traumas (uma vida não seria suficiente para isso). IMPLICA APENAS INVESTIGARMOS, NO QUE JÁ VIVEMOS, SEJA GRANDE, PEQUENO, BONITO, FEIO, DELICIOSO OU AMARGO, QUAL É O SENTIDO PROFUNDO DAQUILO.

Enquanto prazer e dor são, parcialmente, dependentes do nosso sistema de crenças (por exemplo, se acreditamos que a homossexualidade é pecado podemos sentir dor ao nos perceber ou perceber que nosso filho é gay, e se acreditamos que temos de ser famosos para sermos amados, sentimos prazer ao ganhar um prêmio), o propósito reside unicamente no corpo, e dribla nosso sistema de crenças. Mesmo sentindo dor ao se perceber gay, uma pessoa pode não evitar a expressão da sua identidade, pois quando ela está num relacionamento heterossexual, ela se se sente perdida e sem sentido. Mesmo sentindo o prazer de receber um prêmio, uma pessoa pode se sentir vazia antes e depois desse momento, por não ver propósito em fazer aquilo que lhe garantiu o prêmio.   

O PROPÓSITO É TÃO PODEROSO E ANCORADO EM NOSSO CORPO, QUE PODEMOS INCLUSIVE SENTIR ARREPIOS COM COISAS QUE NOSSA MENTE NÃO ENTENDE.

Por que aquela súbita emoção quando li, vi, escutei ou soube de algo? Ou vi uma certa pessoa pela primeira vez? Por que esse desejo inexplicável de viajar para um certo lugar sem nenhum motivo racional para isso? Independente se nossas explicações irão passar pelo campo da intuição ou da espiritualidade, certamente ela tem a ver com o corpo (ou o coração) reconhecendo o propósito de algo que a mente (e o sistema de crenças) nem identificou ainda.

E, para deixar claro: propósito é diferente de impulso. Impulso é o que fazemos quando não damos conta de ficar onde estamos, pois temos a sensação de que se esperarmos um minuto sequer para satisfazer o que queremos, aquilo – ou prazer que aquilo promete – pode se perder. Propósito é aquilo que sentimos quando reconhecemos algo que é inevitavelmente nosso por direito, como se já estivesse em nosso destino. Por ser nosso, gera profunda emoção, sem gerar pressa – pelo contrário, traz uma profunda sensação de que aquilo está “assegurado”.

ASSIM, SE A MENTE NÃO USAR SEU SISTEMA DE CRENÇAS PARA BLOQUEAR O CHAMADO DO CORPO, E ESTE TIVER A LIBERDADE DE SE EXPRESSAR, LOGO MAIS, A MENTE TAMBÉM ENTENDERÁ O PORQUÊ DESSE CHAMADO. E quando mente e corpo enxergam juntas o propósito das coisas, esse é o estado de maior felicidade possível. É quando o amante, já sentindo amor por sua amada, diz pela primeira vez: “Eu te amo”. O amor já estava ali, e o corpo já o sentia, mas é quando a mente também o reconhece, que fogos de artifício explodem no ar, e sentimos que “tudo encaixa”. Isso vale para o amor, e para todas as demais áreas da vida.

E assim como, quando reconhecemos que amamos, desenvolvemos de repente a habilidade de cantar e fazer poesia para expressar esse amor, tudo que nosso corpo reconhece como parte de nosso propósito desperta a nossa potência, e nossos talentos. Nós tendemos a desenvolver rapidamente as habilidades e competências necessárias para viver e materializar tudo que, profundamente, nos faz sentido. Por isso, inclusive, a estagnação e a falta de energia para investir numa certa área da vida pode ser um indicador de que ali estamos tentando viver algo que converge com nosso sistema de crenças – ou das pessoas ao nosso redor – mas não com nosso propósito.

A energia que sentimos quando nos conectamos com a ideia de ser, fazer ou materializar algo está muito conectada com a ideia de potência. Muitas vezes, confundimos potência com poder. É fato que nossa potência é fonte de poder, mas ela não é o poder em si. A potência é a energia de manifestação em nosso corpo que ainda não despertou e se materializou. Tal qual uma semente: um grande jacarandá, por exemplo, existe desde sempre na pequena semente, mas na semente o jacarandá não existe ainda em estado manifesto, mas apenas como potência.

E, justamente, quando sentimos que nós ou alguém possui uma determinada potência, ou potencial, para algo, queremos dizer que a força de materialização daquele aspecto já existe nela, mas ainda não foi o momento, ou não houve espaço, para essa força se manifestar. Por isso é tão triste quando acreditamos que nós ou os outros não temos potência ou potencial, pois é como se disséssemos que somos uma semente queimada, morta – nada poderia se manifestar dali. E isso, claro, é absolutamente falso, e antinatural, pois uma semente queimada não se desenvolve, enquanto tudo que existe e se move, só existe porque possui potências a serem manifestadas.

Por isso, durante a história, temos louvado tantos grandes líderes e mestres que foram capaz de enxergar potencial mesmo naqueles que pareciam pequenos e insignificantes, e que ajudaram a despertar nessas pessoas a sua potência. E, se isso tem sido verdade ao longo da história, por que não seria para nós? Por mais que seja difícil, nesses momentos em que nos sentimos desesperançados com a vida, de enxergar nossa potência, só estamos vivos – e inclusive estamos sofrendo – porque essa potência existe. Se ela não existisse, o sofrimento não existiria, e nem haveria pensamento de tirar a própria vida, por exemplo, pois ela nem existiria. Aliás, a ideia de tirar a própria vida vem do desespero de sentir muita potência (vida) e não saber como manifestá-la. Então, talvez a busca não seja de eliminar o sofrimento abafando a potência, e sim aprendendo a manifestá-la! E uma forma muito eficaz e bonita de despertar toda essa potência é, justamente, conectar-se com o que a faz acordar: o nosso propósito de vida.

Portanto, não existem pessoas que são talentosas e potentes e outras que não são. Existem pessoas mais – ou menos – conectadas com seu propósito. E OUTRA ÓTIMA NOTÍCIA: NÃO EXISTEM PESSOAS SEM PROPÓSITO. Tudo que existe (não só os seres humanos) está buscando expressar o seu chamado. No caso da maior parte dos seres, esse chamado talvez esteja desperto prioritariamente na sua dimensão de sobrevivência, e faz com que cada animal ou planta desenvolva certas competências para isso. Outros, por estarem despertando um chamado já mais profundo, revelam competências emocionais e relacionais. E nós, seres humanos, junto com todos esses, temos um chamado social e cósmico, que nos faz desenvolver competências que nos ajudem a viver melhor uns com os outros, com o planeta, a buscar realizações internas mais profundas e a servir à evolução da vida. Para mim, entretanto, o chamado é o mesmo, apenas com diferentes níveis de despertar.

E nosso propósito é tão real, e tão forte, que é ele quem nos retira qualquer sensação de prazer de viver quando nos afastamos muito dele. Não é uma punição, mas apenas uma forma de nos mostrar para onde estamos indo, e como voltar. Se não fosse assim, sentiríamos felicidade com qualquer coisa que acontecesse em nossa vida. Mas não, nosso propósito pede uma expressão única, e como ele é um misterioso chamado, vivo no corpo, e sempre em evolução, ele não se comunica com palavras, dizendo em nossa mente “faça isso” ou “não faça aquilo”. Essas vozes são, novamente, as falas da nossa mente, guiada por nosso sistema de crenças. O PROPÓSITO SE COMUNICA PELO ARREPIO, FAZENDO COM QUE NOS SINTAMOS MAIS EMOCIONADOS E VIVOS COM ALGUMAS COISAS, E MENOS COM OUTRAS.

Portanto, se você se sente desmotivado ou impotente em alguma área da vida, ou na vida em geral, pare para pensar: seu propósito é tão poderoso, que é ele quem está se comunicando com você, nesse momento, por meio desse sofrimento. É ele quem está o chamando para um lugar onde há muita vida, e muita potência para viver. Então, sem mais demora, esse é o momento de sair da servidão à parte de nosso sistema de crenças que esteja nos limitando e ir para lá! Não é fácil, pois exige muita investigação interna, da mente, do corpo, e da vida ao nosso redor, mas é simples: basta escutar o coração e respeitar o que ele pede, cada vez que o corpo se arrepiar. E, claro, existem formas de aprofundar a habilidade de fazer isso, até mesmo, por exemplo, nomeando em palavras qual é o nosso propósito de vida. Mas isso fica para um próximo texto! Boa jornada.

PENSAMENTO SISTÊMICO - por Alice Junqueira

por Alice Junqueira
(consultora de conteúdo do quadrante SISTEMAS)

O pensamento sistêmico é o modelo mental que acreditamos facilitar o caminho para a integralidade.

Pensar sistemicamente significa observar algo enxergando este algo como um sistema. Mas o que significa observar algo como um sistema? Significa olhar um “todo” não apenas como uma soma de partes, mas sim como uma soma de partes que interagem. Ou seja, olhar um sistema é olhar as relações dos elementos que o compõem. Essa diferença pode parecer pequena, mas ela transforma fortemente a maneira com que vemos os problemas e os enfrentamos.

Estamos acostumados(as) a separar e ver as coisas isoladas, mas ao fazermos isso perdemos várias informações importantes que não aparecem nas “partes” que observamos, mas sim nas relações e interações. A depressão, por exemplo, não pode ser entendida sozinha. Ela não existe na individualidade; ela surge da interação de uma pessoa com o meio e/ou com outras pessoas.

Dessa maneira, existem tantos sistemas no mundo quanto pudermos delimitar. Isso porque um sistema é definido a partir da colocação de “uma fronteira” de observação. Isso mesmo, o sistema político, o sistema educativo, sua casa, sua comunidade, o corpo humano, uma célula, tudo pode ser observado como um sistema, desde que se delimite onde ele começa e onde ele termina, a partir de algum critério. E quais seriam estes critérios? Eles variam e, como mencionado, podem ser considerados inclusive infinitos, porém atualmente existem um conjunto de teorias e metodologias que nos trazem padrões, ferramentas e experiências e nos ajudam a observar, refletir e, se preferirmos, viver de maneira sistêmica, as quais estão continuamente se reinventando.

O pensamento sistêmico, então, é, em última instância, entender que que os elementos que compõem nosso mundo – reforçando: incluindo átomos, psiques e sociedade –  não respondem a relações deterministas, uni-causais e lineares, ao contrário, funcionam em uma relação de interdependência e complexidade.

Entre os muitos conceitos vinculados ao pensamento sistêmico, está o conceito de autopoiese, criado pelos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela, o qual gostaríamos de destacar.

Este conceito nasceu da Biologia, atribuído aos sistemas vivos, porém hoje possui aplicações em diversas áreas tais como, sociologia, psicologia, educação e até mesmo medicina.

Autopoiese é um neologismo que significa autoprodução. Significa que nós, seres humanos, temos a capacidade e todos os elementos necessários para nos criar, recriar e perpeturar. Assim, somos nós que nos auto-organizamos, autorregulamos e definimos nossa relação com o meio, a qual, como vamos seguir vendo ao longo desta plataforma, é mais abundante e potente quando pensada de maneira sistêmica.